domingo, 5 de maio de 2019

RECOMEÇO - 2019


Foi então que eu decidi que não havia mais tempo a perder. Wilson precisava do tratamento urgente. Falei com meus filhos a respeito dessa minha decisão. Fui pessoalmente até uma clínica particular e marquei avaliação com médico oncologista, aqui em São José dos Campos. Eu precisava saber qual era a quantia monetária necessária para o tratamento. A consulta eu tinha condições de pagar, mas e o tratamento? A secretária me disse que não havia como definir o custo do tratamento sem passar pela avaliação médica. Pesquisei no Google e fiquei a par de que o custo em média do tratamento por radioterapia era de 15 a 20 mil reais. Decidi vender o carro. Meu filho ajudou, comprou o carro para podermos na primeira consulta particular estarmos com o dinheiro necessário para o tratamento. Tudo estava acontecendo conforme eu havia planejado. Deus é bom. As orações estavam surtindo efeito e os Anjos estavam me ajudando, tanto que o dia da consulta ficou marcado para 22 de janeiro. Aniversário de meu marido. 
Antes mesmo de marcar essa consulta, no começo do mês, eu havia programado junto com um grupo de amigos e amigas de comemorarmos o aniversário do Wilson com uma festinha em minha residência. Fiquei um pouco alarmada... E se na avaliação o médico disser que o caso é grave demais? E se não o dinheiro que temos não for suficiente? E se?... Até que dei um basta e pedi ajuda de meu Anjo. Respondi para mim todas essas questões. Se o caso for grave maior será o milagre de Deus. Se o dinheiro não for suficiente venderemos a casa ou o que mais for preciso. Acalmei-me e olhei meu marido com olhos de promessa de vida. Uma luz brilhou em nossos corações, nos unindo mais ainda. Não desmarquei a festa de aniversário. Sendo qual fosse o resultado da consulta médica festejaríamos a vida do Wilson.

Então, naquele dia 22 de janeiro, meu marido completando 67 anos de vida, fomos à tarde na consulta no melhor centro oncológico particular de São José dos Campos.

Chegamos e fomos muito bem atendidos, na hora marcada entramos para o consultório. O médico nos recebeu com carinho e sorridente nos pediu os exames. Ele foi o único médico que, naqueles meses todos, verificou cada exame e até mesmo o CD do PET SCAN ele viu com extremo profissionalismo. Eu pensei: “Isso sim é que é um médico. Ele verifica tudo. Creio que os médicos do SUS não fazem isso. Não é mesmo meu Anjo?” Eu estava feliz por ter conseguido vender o carro e munida de dinheiro para que meu marido pudesse fazer o tratamento.

Depois de verificar todos os exames o doutor nos explicou: “O tratamento consta de hormonioterapia e radioterapia”. Eu, muito afoita, fui dizendo... “sei sim”. Ele continuou: “São 16 meses de injeções bloqueadoras de hormônio e 38 sessões de radioterapia”. Meu marido só prestando atenção. Eu contente da vida. Pelo menos ia começar o tratamento. Até que eu fiz a pergunta básica: “Qual é o custo do tratamento? A radioterapia fica mais ou menos R$20.000. Não é?” Ele respondeu: “A radioterapia é mais ou menos isso, conforme a quantidade necessária.” Fiquei feliz porque poderíamos pagar a radioterapia e provavelmente as injeções seriam mais baratas. Então ele nos disse: “As injeções custam em média R$5.800,00 cada.” Fiz a conta de cabeça, dava R$ 92.800,00.

Fiquei branca e quase desmaiei. Olhei para o doutor e disse: vendemos o carro, só temos o dinheiro para pagar a radioterapia. Vamos vender a casa. Meu coração estava descompassado. Minha cabeça girava, mas mesmo assim em meu coração era determinante que venderíamos a casa para que Wilson fizesse o tratamento. Nessa hora, sentado diante de nós, o doutor nos olhou nos olhos. Nisso tocou o interfone. Ele atendeu e assim que desligou nos disse: “Vou verificar se a máquina de radioterapia se está sincronizada de acordo com as especificações do paciente. Eu sempre faço isso antes do paciente entrar na máquina. Volto daqui a pouco.”

Ele saiu e eu olhei para meu marido, tentando não mostrar meu nervosismo. Era como se eu tivesse dado ao Wilson uma nesga de chance e ela estava escorrendo pelas minhas mãos. Tinha que segurar o que chamamos de esperança. Então eu orei. Pedi ajuda ao meu Anjo. Só me acalmei quando senti minha alma ser invadida por uma imensa sensação de amor. Entendi que tudo estava nas mãos de Deus.

O doutor voltou. Sentou-se na nossa frente, como antes, olhou em nossos olhos e nos disse que aqueça clínica é particular e sem os rendimentos necessários ele não consegue manter a máquina de radioterapia, a compra de medicamentos, a manutenção, o pagamento da mão de obra especializada, médicos, enfermeiras, atendentes e tudo mais. Finalizou: "Eu preciso e quero o seu dinheiro para poder manter tudo isso. Mas quero mais ainda que você comece já o tratamento Wilson... e não vamos esperar mais tempo.” Começou a escrever no prontuário e continuou falando. “Eu também sou medico através da rede SUS, entreguem essa carta no serviço de oncologia deste hospital para que eles agilizem o atendimento para o Sr. Wilson, lá ele não vai pagar injeção e nem a radioterapia.” Levantou-se e nos entregou a carta de encaminhamento.

Eu fiquei tão atordoada com tudo que até mesmo esqueci minha bolsa no consultório (pegando-a logo em seguida) porque a minha razão maior era a de entregar aquela carta no hospital. Eu agradeci tanto que só faltava beijar as mãos do médico. Ele sorriu e nos disse: “Peça à minha secretária para telefonar agora para o hospital e quem sabe ela conseguirá agendar a avaliação ainda este mês.”

Fomos direto falar com a secretária que prontamente telefonou para o hospital e leu a carta do médico. A atendente, no hospital, disse que entraria em contato comigo assim que houvesse vaga. Agradecemos a secretária e fomos para casa. No meu coração a certeza de que médicos Anjos estão trabalhando para que as pessoas sejam curadas. Esse médico é um Anjo.

Nesse dia, comemoramos o aniversário do Wilson junto com os amigos e amigas. Contei para eles toda nossa epopeia em busca do tratamento. Cantamos, agradecemos, falamos de Anjos, amigos, santos e da força divina que mora em cada um de nós. Foi uma noite de alegrias.

No outro dia, 23 de janeiro, logo de manhã, recebi uma ligação do hospital agendando a primeira consulta do Wilson, pelo SUS, para começar, no dia 29 de janeiro, dali a seis dias, a primeira série no tratamento de hormonioterapia.

Nessa corrente do bem existem vários elos. Não podemos quebrar algum. Nossa missão é manter a corrente ativa. Isso vale para os depoimentos que devemos passar para que as pessoas saibam que acreditar é um dom de Deus. Deus nos envia Anjos todos os dias. Iguais as amigas do UBS perto de casa, Gisela e Patrícia, agora foi a vez desse médico.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O ANÚNCIO DO ANJO






       Há três anos eu escrevi partes de minhas memórias, apontamentos recolhidos de cadernos brochuras ao longo de 50 anos. Não é fácil se colocar em uma vitrine e deixar que as pessoas nos vejam como somos e analisem nossa vida. Alguns param um tempo para ver, outros passam depressa para não ver, muitos entendem e deixam flores, outros não aprovam e jogam pedras. Não tive como negar a escrita do livro porque na maioria das vezes em que eu sofri foi com a ajuda de uma leitura biográfica, de um depoimento, de um testemunho, que consegui me levantar do tombo. Aonde eu pensava cair sozinha, vários tinham tropeçado e caído. Foi então que resolvi colocar os meus tropeços, minhas quedas, meus embustes, minhas batalhas e, principalmente, minhas vitórias. De nada adiantaria escrever se não houvesse a paz do recomeço. Nesse livro eu falo muito de meu Anjo da Guarda, aliás, foi por cauda dele que escrevi o livro.

      Hoje, ao reler no livro “Um anjo também para você” (que ganhei de presente de Natal de meus pais) percebi que muito do que me aconteceu e acontece é compartilhado pelos que também acreditam nos Anjos. Anna Maria Canópi diz que os Anjos nos sacodem, nos acordam do torpor da indiferença e nos ajudam a acolher o dom da vida com muita fé. Eu acredito nisso e já escrevi a esse respeito muitas vezes. Posso até parecer maçante, dizendo outra vez e, mesmo assim, vou dizer... Não podemos nos deixar levar pela indiferença dos outros, mesmo que sejam pessoas que amamos. Cada um dá o que tem dentro do coração. Não espere que mesmo ajudando um escorpião a atravessar o rio ele lhe agradecerá, provavelmente ele lhe dará uma ferroada, daquelas bem doloridas.  Não digo que estou imune ao veneno do escorpião, sempre tenho de me valer do soro do bem, do perdão.  

          O anúncio do Anjo sempre satisfaz nosso entendimento divino, devemos deixar nossos ouvidos bem abertos para escutarmos o mais suave sopro em nosso pensamento, vindo de nosso Anjo. Hoje, eu me questionei muito a respeito da vida, das tristezas e das alegrias, da saúde e da doença, da paz e da guerra, da prosperidade e da miséria; percebi que o peso e a medida sou eu quem sempre darei. Posso morar em um palácio e assim mesmo ser miserável; posso estar doente, porém saudável na fé; posso encontrar no buraco da tristeza a mina de água pura e cristalina do sorriso; posso estar em guerra comigo mesma e levantar em meu coração a bandeira branca da paz.





sexta-feira, 1 de março de 2019

A ATENÇÃO DO ANJO


 


PEDRAS DE CORVINA    

        Mês de outubro, eu e Wilson comemoramos 40 anos de matrimônio, no ano de 2018. Ao aproximar-se da data,  lembranças emergiram sem mesmo eu mexer no imenso oceano da memória.

          Eram tantas preocupações por causa da doença de meu marido que até não conseguimos um tempo para planejar e nem mesmo improvisar uma festa. Na véspera do dia comemorativo, à noite, eu me recolhi no quarto e orei. Foi nessa hora que algumas lembranças brotaram. O dia do casamento, nossos filhos, nora, genro, netos, os nossos sonhos realizados e os por realizar. Nossos problemas, nossos fracassos, nossas lutas, nossas desilusões. Nossas metas e vitórias. Em poucos minutos me molhei em uma chuva de lembranças que fizeram meus olhos ficarem mareados por tantos sentimentos.

            Sempre procuro não dar peso maior para as tristezas, aliás, sempre tento (muitas vezes consigo) transformar as dores em bonitas cicatrizes que não deformam a alma. Mexer no que está curado só leva ao ressentimento, pois se foi preciso uma cura é porque houve ferida. Não tem como voltar e remediar a situação.

           Esse aprendizado evoluiu no período de 40 anos e para solidez de um casamento foi preciso cavar poços artesianos na alma, cultivar oásis de sonhos no deserto dos pensamentos, acreditar no sol quando a tempestade abalava nosso lar, ver além do horizonte da impaciência a continuação da estrada a dois, entregar-se sem reservas nas mãos de Deus e deixar que a metamorfose dos Anjos nos dessem asas para voar.

          Eu não entendia a razão de uma doença tão cruel como é o câncer se instalar tão mansamente em nossa vida e querer tirar a nossa paz. Eu não dava tréguas, eu procurava caminhos secundários à medicina alopática, eu lia teses, me mantinha atualizada a respeito dos tratamentos convencionais e fitoterápicos. Dormia rezando e acordava rezando. Minha mente trabalha em várias dimensões, consigo ler e entender três a quatro livros ao mesmo tempo (me treinei cognitivamente ao pesquisar e escrever inúmeras biografias), eu gosto de assistir TV e escrever ao mesmo tempo, andar e pensar em resoluções mirabolantes, por isso, continuamente dentro de meu cérebro um vulcão lançava lavas de  perguntas, as quais, na maioria eu não tinha resposta... e outras eu respondia na hora: “Por que você não tem seguro saúde?” – “Porque ficou tão caro depois dos 60 anos que não mais conseguimos paga-lo”.  / “Por que essa doença apareceu assim tão drasticamente?” -  “Porque ela faz parte do DNA do Wilson”. /  “Como arrumar dinheiro para pagar o tratamento?” – “Vamos vender o carro e o que mais precisar”. / “Que tal aquelas cápsulas que dizem que cura o câncer?” – “Ainda não sei o suficiente, vou estudar mais a respeito e como adquiri-lo.” / “Como livrar o Wilson dessa doença?” – “Estou tentando... tentando...” As perguntas eram lançadas em minha mente igual lavas incandescentes, era preciso um oceano de benevolência para esfriar as lavas e, naquela noite, antes do aniversário de casamento eu conversei com meu Anjo: “Estávamos mesmo, eu e Wilson, predestinados a nos casar? Eu acredito tanto no sim, querido Anjo, você sabe disso... esteve e está comigo em todos os momentos, conhece-me melhor do que eu mesma. Eu lhe peço que cumprimente o Anjo da Guarda do Wilson por mim e diga para ele continuar cuidando tão bem de meu marido.”

            Adormeci. No outro dia, acordei feliz. Wilson dormia e eu fui à feira livre, perto de casa. Ao passar pelo peixeiro meu Anjo me disse para fazer algo que há mais de um ano eu não fazia: “Pede a pedra da cabeça da corvina”.

             Parei. Fiquei olhando para os peixes. Minha mente viajou. Ah!... quantas lembranças de Goiás aflorou no meus olhos. Para não mostrar minha emoção resolvi andar para bem longe da banca. Precisava me controlar emocionalmente. Relembrei quando pela primeira vez li o poema de Cora Coralina:


         Só consegui desvendar no poema a parte “Esse dia ficou marcado/com a pedra branca / da cabeça de um peixe” quando morei na cidade de Goiás.  Quem me contou a respeito foi Ana Maria Di Peres que se tornou mais que minha amiga, tornou-se minha irmã, pois foi o pai dela Sr. Benício que recebeu meu marido na cidade de Goiás e o tratou como filho e, depois, me recebeu com o mesmo carinho. Benilson era vizinho de Cora e foi quem a carregou nos braços quando ela caiu na bica e quebrou o fêmur. Ana Maria me explicou o significado de presentear alguém com uma pedra branca da cabeça de um peixe.  Dentro da cultura vilaboense significa que a pessoa que recebeu a pedra branca tornou-se amiga de coração de quem deu o presente, amigas para toda a vida seguiriam juntas, irmanadas. Em Goiás algumas amigas me mostraram joias feitas com a pedra de peixe que receberam da mãe, da filha, da avó, do marido etc.

              Foto: Pedra de Corvina em pingente de ouro, herança de família vilaboense.    
     


        Quando eu voltei a morar em São José dos Campos, recomecei a ministrar oficinas literárias e, quando eu falo de Cora Coralina leio o poema dela onde descreve a magia de quando encontrou uma pessoa que a presenteou com uma pedra de corvina. Sim, o peixe é a corvina. Toda corvina tem uma pedra em sua cabeça. Essa pedra vibra em certa frequência e somente outra corvina com o mesmo formato, tamanho e peso, isso é, com uma pedra totalmente igual, porem espelhada à outra, será companheiro por toda a vida. Eu sempre procuro nas peixarias se tem alguma pedra de corvina guardada e raramente a encontro. Gosto de presentear meus amigos de verdade com essa pedra. E, sempre que as encontro, são diferentes umas das outras.

          Depois de estancar as lembranças eu resolvi voltar à banca de peixes e ao ver o peixeiro limpando uma corvina fui perguntando se ele podia me dar a pedra da cabeça da corvina. Ele me disse que sim. Logo pensei em presentear meu marido com ela, pelos nossos 40 anos de casamento. O peixeiro, Sr. Lourenço, ao me entregar a pedra me perguntou se eu queria mais uma pedra que ele tinha guardado. Eu disse que era bom demais receber mais uma pedra. Então, ele me entregou uma pedra que estava guardada em um pequeno vidro. Eu contei para ele o significado das pedras e, sem olhar direito para elas, as coloquei dentro da bolsa. 
        Ao chegar a minha casa, eu as mostrei ao meu marido e, para meu grande espanto, aconteceu o quase impossível... as duas pedras são espelhadas idênticas. 



Fotos: as duas pedras de corvina que ganhei na feira.  

       A probabilidade desse acontecimento é de 1 (um) a cada 1.000.000 (um milhão). Eu ria e chorava ao mesmo tempo. Um misto de carinho divino esquentou meu coração. Uma certeza de que nossas pedras foram moldadas através das mãos santas de Deus.

         Entendi que o laço que une um casal fortalece tanto com o passar dos anos que nada poderá desatá-lo e que meu Anjo da Guarda e o Anjo da Guarda do Wilson nos deram esse presente. Todos os problemas passados, todas as alegrias vividas, as lutas, os tropeços e as conquistas estão calcificados em nossas mentes, iguais pedras de corvina, vibram na mesma intensidade e seguimos juntos pelo oceano da vida.

         Guardo as duas pedras dentro de uma pequena caixa vermelha, em forma de coração, que entronizei em um Anjo estilizado que montei na minha sala. 



 IMAGEM DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO!

         Porque eu sempre divulgo a respeito da pedra na cabeça do peixe corvina, minha amiga Cláudia Holzwarth me enviou um belo presente. 
Eu o recebi no dia 04 de abril, pelo Correio. Cláudia já havia me falado que havia encomendado esse presente, eu só não esperava que fosse tão especial. Foi uma das mais belas surpresas que recebi via Sedex. Uma capelinha onde está entronizada a imagem de Nossa Senhora da Conceição. 
         Mas, não é uma imagem normal... ela foi esculpida na cabeça de um peixe, pelas mãos santas de Deus. Ao receber essa linda imagem e conhecer com detalhes a história (lenda?) meu coração bateu mais forte, minha alma ficou suave, meus pensamentos queriam desvendar o código do Deus. Ainda não consegui. 
            Interessante que de madrugada eu sonhei com o tio de Claudia, o Servo de Deus Franz de Castro Holzwarth, e o Dr. Mário Ottoboni conversando. Sei que existe uma ponte entre a Terra e o país dos Sonhos, e nela trafegam os Anjos. Só não sei como criar asas e ir sempre lá... quem sabe um dia. 
            Gratidão, Cláudia. 





O TIJOLO


        Eu sempre faço minhas orações de madrugada, às 3h da manhã, meu despertador é meu Anjo da Guarda. Rezo o terço da Misericórdia contemplando os Mistérios Dolorosos, isso... há mais de 30 anos. Isso não quer dizer que não tive ou não tenho problemas. Foram e são muitos, porém eu peço ao meu Anjo que, junto da Virgem Maria e de meus santos prediletos, levar minhas orações até a Santíssima Trindade. Aprendi que é preciso pedir discernimento a respeito das respostas de Deus, sabedoria para tomar as decisões e, algumas vezes, coragem para executá-las.
           Estou escrevendo este depoimento porque sei que preciso testemunhar os acontecimentos dos últimos oito meses, desde que meu marido foi diagnosticado com câncer. Nesses meses, muitas vezes a tristeza me abateu por não entender os desígnios de Deus e sentia que isso magoava meu Anjo, porque desde criança eu confio nele. Mas, para eu superar toda minha tristeza precisava perseverar na fé. Não entendia as razões de tanto sofrimento, de tanta mudança de caminho quando estávamos a poucos passos da vitória. Era cruel demais. Foi então que tive a visão de meu Anjo me dando uma talhadeira e um martelo e me dizendo: “abre uma fenda nessa rocha.” Tarefa difícil. A rocha aumentava dia a dia.  Eu parecia mais uma entidade mitológica, como Sísifo, em uma tarefa que parecia inútil, quando eu chegava perto da vitória, tudo desmoronava e eu tinha de recomeçar.
          Não sou de desistir, quando isso acontece é porque já não tem como recomeçar, porque criou-se uma ferida que poderá ser mortal. Para a cura é preciso de um tempo. Esse tempo só Deus poderá determinar... e eu tenho de esperar. Algumas vezes já tentei acelerar o tempo por minha conta e risco, saí muito mais machucada do que antes. Aprendi a ter paciência, fé e esperança. Isso não quer dizer que não sofra. Muitos me acham resiliente demais. Algumas pessoas até me dizem que eu sou uma “bobinha” por não responder aos desaforos e descasos que já me acontecem. Eu sou lenta nesse ponto. Tenho muita confiança em Deus e foi graças ao meu Anjo da Guarda que aprendi a ter fé. Por isso,  prefiro ser bobinha nas mãos de Deus do que justiceira nas mãos do homem. Uma das verdades que meu Anjo me ensinou é que mais vale passar pela justiça de Deus nessa Terra do que na outra vida, aqui ainda teremos tempo de perdoar e ser perdoado, da remissão... e na outra vida não. Aqui podemos agradecer e louvar a Deus.
          Mesmo orando de madrugada e pedindo a Deus agilidade para o tratamento do câncer do meu marido, já havia passado cinco meses desde que soubemos da doença. Nesse tempo foram feitos vários exames, todos detectando neoplasia maligna com agravantes. Eu, a família, amigos e até pessoas que eu nem conhecia oramos pela cura do Wilson. Passamos das consultas particulares para o SUS por razões financeiras. Com a recomendação de que existe uma lei determinando que ao ser detectado um caso de câncer tem de se iniciar o tratamento dentro de 60 dias. Mas isso não aconteceu no caso de meu marido. Ao longo desses cinco meses pedi ajuda para as enfermeiras chefes do Posto UBS do bairro onde residimos e, através delas consegui atendimento de medico especializado. Sou grata por elas me ajudarem em tudo, com muito carinho e profissionalismo, se tornaram verdadeiras amigas, devo muito a Patrícia e a Gisela, verdadeiros Anjos em nossa vida.
           Na consulta com o urologista, ele solicitou vários exames e nos alertou que havia uma fila de mais de 500 pessoas aguardando para fazer esses tipos de exames, talvez demorasse uns oito meses ou até mesmo um ano para Wilson ser atendido.   
          Ao sair do consultório meu marido ficou desanimado e eu fiquei orando para meu Anjo nos ajudar. De madrugada, em oração, meu discernimento foi o de procurar uma amiga, muito católica, que trabalha na Câmara Municipal. No outro dia entrei em contato com ela, Ana Lúcia Zombardi, assessora do vereador Sérgio Camargo e pedi ajuda.  O vereador disponibilizou seus assessores para nos ajudar, um deles foi o Edylson que conseguiu agendamento dos exames. Wilson fez todos eles, dos mais complexos (nucleares) aos mais simples. Wilson passou por avaliação de um ótimo oncologista no Hospital Pio XII (até então os médicos que o avaliou foram urologistas e cardiologista). Esse oncologista nos disse que iria agendar uma nova avaliação em dezembro para marcar o tratamento. Tenho muito que agradecer a Ana Lúcia, o vereador Sérgio e o Edylson.
           Ainda durante esse período eu consegui com o parente e amigo José Humberto uma avaliação dos exames do Wilson por uma junta médica no Hospital de Barretos e até mesmo um lugar para eu ficar morando lá, se tivesse vaga para o tratamento. Em outubro consegui todos os documentos necessários, até mesmo o encaminhamento pelo médico do SUS, os quais eu enviei para essa avaliação e o resultado foi negativo. Disseram que o caso era urgente e que Wilson não poderia esperar para surgir uma vaga que só aconteceria dali a cinco ou seis meses. 
           Essa resposta foi como uma pancada em meu coração. Eu estava muito nocauteada, tudo passava por mim primeiro. Eu era a primeira a ser atingida em tudo. Pedir ajuda, acompanhar nas consultas,  nos exames, cuidar depois dos exames, buscar resultados, manter o bom humor, mostrar a bondade das pessoas e o valor dos amigos. O que me mantinha e mantêm em pé é a confiança em Deus. Não vacilei na fé. Continuei o que sempre fiz, sem precisar aumentar ou diminuir, aprendi a oração do Peregrino Russo há mais de 15 anos e a faço constantemente, minhas orações de madrugada, minhas leituras bíblicas como frei Inácio Larrañaga me ensinou pessoalmente, minha devoção à Virgem Maria que sempre aparece em sonho e me estende as mãos, meus santos favoritos e meu Anjo da Guarda. Não sei como seria se não tivesse todo esse ensinamento, pois mesmo com eles eu às vezes me sinto um pouco cansada, creio que é porque até aquela época não tinha começado o tratamento. Quando me vem pensamentos tristes eu logo corro para meu Anjo peço ajuda dele que, sempre atento, faz o que é melhor. Foram tantas expectativas frustradas. Mesmo assim eu não ia desistir de tentar novamente. Tornei-me Sísifo nas mãos de Deus. 


Aprendi a viver meu deserto. Em situações como a que estamos passando é fácil ser tentada. Sempre recorro às Escrituras. Na passagem da vida de Jesus, quando Ele está no DESERTO, humanamente frágil por causa do jejum, é tentado pelo anjo mau, sim, existem anjos terríveis que nos tentam quando estamos fragilizados. Nesse meu deserto o anjo mau veio com uma espada para me derrotar, a espada da palavra, me disse várias vezes: “Você acredita em milagres de Deus, então se lance daqui de cima e o milagre acontecerá, não precisa se preocupar, isso é fé que o milagre irá acontecer, mostre essa fé, seu marido não precisa de tratamento, não precisa tomar remédio tão difícil de ser encontrado,  nem precisa fazer radioterapia, hormonioterapia. Comer aranto pra quê? Ele só precisa das orações e aguardar, o milagre virá quando parar de procurar ajuda dos homens. O seu Deus basta.” Com calma eu pedi ajuda  ao meu Anjo da Guarda e ele me ajudou a ter discernimento. Com a sabedoria que ainda me resta nessa etapa tão dolorosa eu disse ao anjo mau: “Não tentarei ao Senhor Deus, Rei do Céu e da Terra. Estamos orando, mas isso não quer dizer que devemos pular os degraus da escada que leva à cura do Wilson. Iremos degrau por degrau, sendo avaliado por bons especialistas que estudaram para ajudar na cura e salvar vidas; usando medicamentos que foram desenvolvidos através da inteligência de pesquisadores, químicos e médicos que estão nesse mundo sob proteção divina; fazer as sessões de hormonioterapia e radioterapia recomendadas por mentes brilhantes de médicos dedicados a curar seus pacientes; em todo esse processo eu vejo a mão de Deus, vejo o quanto ele abençoa os homens com dons específicos e devemos nos submeter a esses dons que são dádivas divinas. Atualmente o meu dom é acreditar que a cada passo Deus está agindo, através dos especialistas, remédios e tratamentos. Por isso, vai embora dos meus pensamentos, da minha vida e de toda minha família. Aqui só existe lugar para a Santíssima Trindade, Nossa Senhora, os Santos e os Anjos de Deus.”

          Continuamos orando e não desistimos da medicina humana. Meu marido fez novos exames. Fui buscar os resultados e eles não eram bons. Fiquei alarmada. Nesse dia, no carro, antes de voltar para casa, chorei até não aguentar mais, depois sequei as lágrimas ao me lembrei de que Deus deve ter uma razão maior para os acontecimentos, eu acredito que existe um tempo para tudo, acredito na cura. Já presenciei muitos milagres, não só na minha vida, também com parentes e amigos. Precisava ser mais forte e não me apavorar. Orei para meu Anjo me ajudar.  Ele me lembrou de que é preciso agradecer por tudo. Então, eu agradeci a Deus por mostrar as áreas no meu marido que precisam de cura. Nesse dia, intensifiquei minhas orações de madrugada.
Eu já havia entrado em contato com o prefeito de São José dos Campos e com tantas outras pessoas do alto escalão do novo governo federal, pedindo ajuda. Nunca tive receio de pedir ajuda... e tinha de continuar pedindo. Se ninguém nos ajudasse eu pediria ajuda ao Papa Francisco. Não foi preciso ir até o Papa... (rs)... porque entrei em contato, novamente, com o vereador Sérgio Camargo, ele falou com Edylson que entrou em contato com a rede municipal de saúde que, então... atendeu o pedido. Ficou agendada para Wilson uma consulta no NAC de São José dos Campos, para o dia 23 de novembro de 2018. Passei a noite anterior orando e pedindo ao meu Anjo que intercedesse junto a Deus pela cura do Wilson e que, nessa nova consulta, marcassem o começo do tratamento, seja lá qual fosse: cirurgia, radioterapia, hormonioterapia ou quimioterapia. Não poderia é ficar sem tratamento. Um grande grupo de pessoas orava e ora a Deus pedindo a cura do Wilson. Minha irmã Letícia fez peregrinação a Medjugorje e reforçou o pedido, com intercessão de Nossa Senhora da Paz.
          No dia 23 de novembro fomos para o NAC. Foi na espera dessa consulta, onde dezenas de pessoas sentadas e outras dezenas de pé lotavam o corredor que avistamos o irmão do Wilson e sua esposa. Naquela manhã ficamos sabendo que ele também estava com a doença. Igual aconteceu com o irmão mais velho deles, com o pai, o tio e o avô deles, todos tiveram a mesma doença, na mesma etapa de vida. Conversamos bastante, a fé em Deus nos mostrou que havia uma razão maior para estarmos ali, juntos.
           Nessa consulta meu marido foi avaliado por um cardiologista (sic) que o indicou para o Hospital Brigadeiro em São Paulo, capital. O irmão do Wilson foi avaliado pelo mesmo médico e dele recebeu a mesma indicação. As avaliações nesse hospital em São Paulo ficaram marcadas para o fim do mês de dezembro, dias 23 (irmão do Wilson) e 27 (Wilson).
           Era mês de dezembro e eu, inquieta, pois queria ter condições monetárias para fazer que meu marido começasse o tratamento. Minhas noites de orações eram constantes, como sempre. Meus pedidos para meu Anjo eram cada vez mais fortes. Eu sempre sincera com ele, dizendo que se eu pudesse fazer algo mais era para me mostrar... eu faria. Na verdade eu daria minha vida pela cura de meu marido. Foi então que meu Anjo me explicou que não existe esse tipo de barganha com Deus. Que era para eu esperar, tudo tinha uma época certa e uma razão. Nesse começo de dezembro eu estava mais ciente de um remédio produzido em laboratório que ajudou muitos pacientes a se livrarem da doença e, também, dos benefícios da planta aranto. Falei com meu marido e com nossos filhos. Conseguimos importar um frasco desse remédio, feito nos Estados Unidos. O aranto eu resolvi procurar no CEAGESP, meu Anjo me instruiu a ir de madrugada. Dito e feito; comprei o único vaso que tinha naquele dia, como disse o vendedor: “Você chegou na hora certa, só tenho este.” 

             Dia 10 de dezembro, resolvi ir até Aparecida para fazer um pedido especial a Deus por intermédio da Imaculada Conceição. Peguei todo prontuário com os resultados de exames, os encaminhamentos médicos, as prescrições, os agendamentos e os coloquei dentro de uma pasta para levar comigo. Minha vizinha Célia e seu neto, João, foram conosco, eu expliquei a ela que eu ia fazer um grande pedido e, por isso, para chegar até a imagem de Nossa Senhora Aparecida eu ia de joelhos desde a rampa. Ela me disse que ia fazer o mesmo, porque tinha uma promessa para pagar. A viagem foi tranquila,  passamos por Roseira e visitamos o Mosteiro da Sagrada Face, eu sempre gosto de orar na capela onde está o Lenço Santo.
         Escolhi a segunda-feira porque trabalhei durante alguns meses em Aparecida pesquisando em acervos e participando de reuniões para compor a biografia de Dom Damasceno, sei que segunda é dia de pouco movimento; então, não ia atrapalhar o fluxo de peregrinos por causa de minha lentidão em caminhar de joelhos.
        Ao chegarmos à Basílica, meu marido estacionou na área reservada para os idosos, já perto dos arcos que ladeiam o santuário. Eu respirei fundo, peguei a pasta com os documentos do Wilson e saí do carro. Ao chegarmos à área que dá acesso à rampa tivemos que ir pela escadaria, pois havia um tapume, estavam fazendo reformas na base onde fica a imagem. Subimos a escada, com os documentos nas mãos ajoelhei e comecei a orar.
           Por causa do meu estudo a respeito da Basílica, sei que no enorme mosaico do retábulo acima de onde está o nicho com a imagem da Imaculada Conceição estão as imagens de três Anjos: São Gabriel, São Rafael e São Miguel.
Representam a mística do sagrado, lugar onde as pessoas fazem seus pedidos para Maria que é, também, Rainha dos Anjos. Os Anjos ali colhem as orações (pedidos e agradecimentos) em fumegantes turíbulos e os levam para Deus. Sim, eu tinha meu pedido pronto, lavrado com ponta de talhadeira na pedra bruta dos meses de intensa procura pelo tratamento, pela cura. A explicação para a doença era uma só, hereditariedade, há três gerações a mesma doença vitimou os homens da família. Meu pedido era para Deus ter misericórdia e sanar essa ferida, cortar esse laço doente, expurgar o câncer de próstata da nossa família. E, nesse período em que eu subia a rampa, orando, eu me lembrei de meu sogro. Agradeci a ele por tudo que fez por nós. Foi um homem honesto e cuidou da família. Ele era superintendente da fábrica de caminhões da Chevrolet – GM, em São José dos Campos-SP. Ali trabalhou por 35 anos, desde que a fábrica foi implantada. Com esse trabalho ele garantiu o sustento da família, deu educação aos filhos e depois cada um também foi trabalhar na Chevrolet – GM. Aos 66 anos meu sogro teve câncer de próstata e ficou curado. Faleceu há poucos anos, com mais de 80 anos.
           Com essas lembranças latentes eu orava e quase me arrastava na subida da rampa. Se era um sacrifício, eu não podia colocar proteção nos joelhos e, creia, doía muito, ao ponto de eu pensar que não ia conseguir chegar até o retábulo dos Anjos e ao nicho de Nossa Senhora. Célia vinha atrás, de joelhos também. A dor era grande, mas nada comparada a que eu tinha no coração, eu até que queria que doesse mais para assim me esquecer de todo sofrimento na minha alma. Baqueei, me arrastei, nem conseguia continuar. Wilson viu e correu ao meu encontro e segurou minha mão. Ao olhar para ele me lembrei que a minha dor era um nada perante da dele, só ele sabia o que lhe doía no corpo e na alma, ele nunca se queixa. Eu aprumei o corpo e segurando a mão do Wilson voltei à penitência, orando. Ao chegar perto da imagem já tinha falado tanto, orado tanto, que minha única reação foi olhar para a Mãe como uma filha que não conseguia mais dar conta das palavras, meus olhos diziam tudo, lágrimas escorriam, silenciosas. Olhei para a figura dos três Arcanjos segurando os turíbulos, representando a elevação de nossas preces. Agradeci a eles por levarem os meus pedidos e meus louvores, pedi ao meu Anjo que os acompanhasse. Fiquei ali mais um pouco. Célia também orava agradecida. Uma paz invadiu minha alma e eu parecia flutuar. Não sei quanto tempo durou, só sei que eu não escutei mais as pessoas, não sentia dor nos joelhos e nem mesmo a tristeza dos dias passados. Levantei-me, pronta para irmos embora.
            Passamos por dentro da Basílica, visitamos as capelas e quando íamos de volta para o carro olhei para o tapume que isolava a área em reforma. Nem liguei, continuamos andando e quando já perto do estacionamento, meu Anjo me alertou: “Volta lá e pede um tijolo”. Foi uma reação imediata, falei para meu marido, Celia e João: “Vou lá pedir um tijolo”.  Todos os três conhecem minha coleção de tijolos, sabem que dentro da arqueologia minha especialização tem como tema tijolos e telhas dos séculos XVIII, XIX e XX. Não adiantava tentar me impedir.  Ficaram ali esperando. Nem os convidei para ir comigo, pois muitas vezes vi que amigos e parentes achavam constrangedor quando eu pedia um tijolo ou uma telha. Fui devagar olhando atentamente para a portinha de compensado do tapume. Bati na porta, um homem vestido de uniforme, com capacete na cabeça, me atendeu e mesmo antes dele me perguntar o que eu queria, expliquei: “O senhor pode me dar um tijolo antigo retirado dessa reforma?” Ele me disse: “Estão todos quebrados, não sobrou um sequer...” ao terminar a frase ouvi uma pessoa gritando: “Ela quer um tijolo, acabei de achar um aqui embaixo,  está inteirinho, nem tem sinal de massa, parece até que nem foi usado.” O trabalhador que me atendeu, sorriu e pude ver todo aparelho em seus dentes, sorriso  prateado. “Espera aqui, dona, vou lá pegar”. Voltou em um minuto e me entregou o tijolo dizendo: “É só esse mesmo.”
            Eu agradeci e ao olhar o tijolo meu coração disparou. Pensei que fosse alucinação, meus olhos certamente estavam me pregando uma peça. Pisquei e olhei novamente o tijolo. Era verdade. Ergui o tijolo e gritei para Wilson que esperava ao longe: “Os Anjos já levaram o pedido e já voltaram com a resposta.”  Corri até eles. Mostrei-lhes o tijolo e ficaram surpresos. No centro está a marca da Chevrolet e, do lado, o número 3. Sim, Sr. Kurt, pai do Wilson, provavelmente pediu para o Anjo dele conversar com o meu e nos fazer essa surpresa. Uma mostra de que ele pediu a Deus pela cura dos 3 filhos que herdaram e mesma doença dele. E, tinha de ser um tijolo, a forma mais rápida de chegar a resposta. Acreditar no Anjo e me condicionar a entender as mais sutis manifestações dele para comigo se tornou um grande aprendizado na minha vida. 

            Desejo que todas as pessoas acreditem em seus Anjos e criem momentos de empatia com ele, conversando, orando, dançando, cantando. Na madrugada depois que ganhei esse presente celestial... eu cantei louvores e pedi para meu Anjo levar a canção até Deus. E não é que minha amiga Célia me disse no outro dia: “ Rita, você viu só que coincidência? Quando chegamos até a imagem o coro da igreja começou a cantar a Consagração à Nossa Senhora Aparecida.” Eu acredito nos Anjos e... coincidências não existem e sim, providências angelicais.